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A Educação Militar

Publicado: Sexta, 24 de Agosto de 2018, 14h39 | Última atualização em Sexta, 24 de Agosto de 2018, 14h39 | Acessos: 1613

Os jovens de hoje são, sem sombra de dúvida, bem diferentes daqueles de há algumas décadas. O contraste inicia-se pela família, continuando pelos conceitos morais, hábitos de vida, desenvolvimento tecnológico, a mídia, dentre outros.

O estudante das décadas de 40, 50, 60 e 70, pobres, remediados ou ricos, em sua grande maioria, possuía uma FAMÍLIA coesa, com intensa convivência e de hábitos e conceitos morais sólidos. A união e o apoio mútuo selavam a vida familiar.

A EDUCAÇÃO apoiava-se no LAR e na ESCOLA, cada qual exercendo, com responsabilidade e adequadamente, seus deveres e funções.

O quadro, de uma forma geral, não se repete com a juventude de hoje. Qualquer que seja sua condição social, os rapazes e as moças não têm a segurança dos jovens de outrora. Em nossos dias, as condições de vida estão muito modificadas. Os encontros familiares são raros e fugazes, não havendo coesão nem intensidade na convivência.

Os conceitos morais e hábitos de vida tornaram-se muito elásticos, permissivos e excessivamente indulgentes. Nessas condições, o jovem fica solto, entregue às fantasias de sua mente inquieta, estimulada por toda sorte de divertimentos, atrações e outras atividades nem sempre recomendáveis.

Em conseqüência, ele rejeita e não se submete ao pouco e escasso convívio familiar que lhe resta. E é desse modo que ele chega ao novo habitat - a Escola Preparatória de Cadetes e a AMAN -, onde a grande maioria passa a ter seu novo lar – O LAR VERDE-OLIVA.

Por que novo lar? Ainda que pareça incrível, o novo aluno encontrará na Organização de Ensino Militar um ambiente familiar com condições de vida, não raras vezes, melhores que em sua própria casa.

Considerando que ele adentrará num mundo completamente diferente daquele em que vivia, imaginem o que passará por sua mente! As contradições são evidentes. Sua escala de valores está rigorosamente "virada de cabeça para baixo"; hábitos e condutas que para ele não existiam passam a ter importância fundamental: obediência a horários, cuidados com a higiene, com os uniformes, com a apresentação, com a obrigação de manter limpo e arrumado o ambiente em que vive; respeito aos companheiros, acatamento às diferentes normas que regem a nova vida, assunção de responsabilidades perante si mesmo, seus colegas e seus superiores hierárquicos.

Esse agora é o seu NOVO MUNDO!

Grande batalha desenvolve-se no íntimo dos alunos ou cadetes.

Cabe ao comandante, aos instrutores e aos professores ajudá-los a absorver os novos hábitos e condutas e a incorporar a nova hierarquia de valores, condutas e procedimentos.

Os jovens são perspicazes e muito sensíveis. Eles sentem quando há alguém que se preocupa com eles e os faz alvos de sua atenção.

A vida em regime de internato leva, naturalmente, à conquista de novas amizades, à participação no grupo, iniciando-se, assim, a formação do espírito de corpo.

O respeito e a amizade despertados pelos superiores, decorrentes de procedimentos justos e imparciais, não nivelando por baixo, premiando os bons e punindo os maus, calam profundamente no espírito dos discentes.

Eles passam a crer em alguma coisa mais consistente, em algo que não conheceram em sua vida escolar anterior e, muitas vezes, nem em sua própria casa.

Os primeiros anos da iniciação do futuro Oficial são primordiais. Não obstante, com o decorrer do tempo, pelos diferentes estágios da formação, no prosseguimento do aprendizado acadêmico ou profissional, o caráter do futuro Oficial é forjado, tendo a disciplina, a lealdade, a dedicação e a renúncia como algumas das qualidades que deverão merecer atenção especial.

Atrevo-me a dizer em que moldes elas devem ser entendidas:

A DISCIPLINA: é a virtude que ensina a obedecer às ordens. Ela traduz uma escala de valores, na qual subordinados e superiores hierárquicos são submetidos aos mesmos preceitos regulamentares.

SUPERIORES HIERÁRQUICOS: são aqueles que ordenam, por estarem acima na escala de postos, mas que também obedecem. Trabalhando em conjunto, superiores e subordinados constroem e servem, visando ao cumprimento do dever. Na parede da velha Escola Militar do Realengo, lia-se: "Cadete! Ide comandar, aprendei a obedecer".

LEALDADE: é a sinceridade da alma amiga, que não esconde nos subterfúgios da mentira as traições aos ideais.

DEDICAÇÃO: é o afinco no cumprimento do dever, é o zelo na execução da tarefa, é o amor ao trabalho.

RENÚNCIA: é a abdicação de facilidades no cumprimento do dever. Ela exige do soldado grande abnegação.

Esse sacrifício leva ao heroísmo, desprendimento manifestado ao colocar-se, decididamente, ao lado da satisfação do dever cumprido.

Quando o Comandante, o chefe, o instrutor e o professor conseguem fazer com que os conceitos enunciados sejam devidamente assimilados, absorvidos e incorporados à mente e ao caráter do aluno, cadete ou aspirante-a-oficial, terão atingido plenamente o grande objetivo: a formação do verdadeiro SOLDADO, pois estarão formando HOMENS, que porão a vontade, a lei e a razão como paradigma de sua conduta, conseguindo, pelo exemplo, cultivar a disciplina, a lealdade, a dedicação e a renúncia.

Só então a missão de educar terá atingido seu objetivo.

Ao reler a última linha, lembrei-me das sábias palavras de Kipling, ao final de seu poema "SE":

 

E só então será teu todo este vasto mundo

Com tudo que ele encerra,

E o que é mais, muito mais, um Homem

Tu, meu filho, um Homem tu serás!

 

Carta de um "velho soldado" remetida ao Cmt da AMAN em 2004.

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